quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Os trabalhadores da última hora


Os trabalhadores da última hora


Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.
 (S. Mateus, cap. XX VV 1 a 16).


A interpretação desta passagem do Evangelho de S Mateus, pela Doutrina Espírita, quando bem entendida, traz mais um dos tantos benefícios consoladores aos que anseiam por definir rumos mais ditosos em suas vidas.

Na parábola dos Trabalhadores da Última Hora, o Mestre Jesus compara o proprietário de uma vinha ao Pai Maior e os trabalhadores a seus filhos, nós todos.
Bem entendida, a parábola nos esclarece que as oportunidades de trabalho surgem sempre a todos, mesmo em horas tardias, e que se atendido este convite, que chega sempre em hora certa, a paga será compensadora, visto que estivera o trabalhador sempre pronto.
Já nos diz o espírito André Luiz no livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier: “Quando o trabalhador está pronto, o serviço aparece”.
Falamos sim do trabalho que a Doutrina Espírita oferta a todos que se dispõe a divulgá-la e a vivê-la.
Assim como um profissional especializado precisa de uma formação, de um treinamento para iniciar seu trabalho de forma produtiva e eficiente, dá-se o mesmo com aquele que poderá servir ao Cristo Jesus, seja em que âmbito for, na divulgação e testemunho do Seu Evangelho.
E para a Doutrina Espírita não é diferente.
Em sua célula básica de divulgação, a Casa Espírita, tem-se a oportunidade de inicialmente usufruir dos benefícios que esta lhe alcança e, posteriormente, se aceito o convite que lhe for feito, contribuir para a continuidade das actividades da Casa.
Como em qualquer organização humana, existem muitas tarefas que podem ser realizadas em uma Casa Espírita, cuja preparação não começa quando do início do convívio, mas muito antes, quando o mundo espiritual nos guia e nos oferta trilhas, algumas tortuosas mas necessárias, para que possamos passar pela vinha do Amor.
Nessa “Casa do Caminho” que por vezes nos demoramos para descansar de algum sofrimento, realinhando nossa trajectória pessoal, podemos encontrar o amparo redentor que a caridade de um trabalho voluntário nos traz, e cujo valor ainda não conhecíamos.
Podemos experimentar as tarefas mais simples, colocando nossa humildade em prática, enquanto nos aprofundamos nos virtuosos conhecimentos da Codificação Kardequiana.
Sendo pequenos, mas fazendo parte de um todo maior, sentiremos a felicidade de estarmos apenas colaborando, sem nada esperar em troca.
Podemos experimentar aquela sensação de fazer parte de um grupo que visa somente o bem do próximo, anulando nosso personalismo e por vezes até com a sublime sensação de sermos percebidos apenas como instrumentos de amor do Pai.
Muitas vezes nós nos surpreendemos pensando: “não tenho condições, não sou capaz”, ante uma oportunidade de sermos úteis.
Este momento é delicado, pois é o Pai que nos conclama a sermos os “trabalhadores da última hora”.
Se nos refugiarmos em justificativas que sabemos vazias, aí sim a paga nos será menor quando finalmente nos decidirmos a seguir o caminho da fraternidade, que chega-nos cedo ou tarde.
A Casa Espírita é, como outras obras de amor, semelhante a vinha da parábola, aguardando quem nela trabalhe na semeadura, e na colheita.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Tempo de cada um


O tempo de cada um

Não podemos exigir a evolução de ninguém de acordo com nosso próprio tempo de compreensão. Cada um possui seu tempo, vinculado directamente a transcendência de seu espírito.

Ingressar em nossa Doutrina não significa que a pessoa está evoluída ou que imediatamente passará a ser mais compreensiva, tolerante e humilde. Significa apenas que “está a caminho”!

Por vezes insistimos em nos decepcionar com nossos irmãos de fé que ainda gatinham na compreensão das mensagens deixadas por nossa Mãe Clarividente. Muitos vivem seus dramas pessoais intensamente e sofrem por não conseguir separar suas personalidades da Individualidade que deveria prevalecer dentro do Templo.

Estão a caminho... é o quê importa! E, estar a caminho não determina um tempo “x” para que despertem a Individualidade, apenas estão a caminho! Alguns despertam para a essência evangélica de nossos ensinamentos em poucos dias, outros levam meses e existem os que levam anos, décadas, se debatendo com os próprios karmas, levando suas dores para dentro do Templo, onde deveriam assumir, na verdade, o compromisso de cuidar das dores alheias.

Iludem-se que entrar para a Doutrina lhes trará a solução de todos os seus problemas, que podem ter estabilidade material e emocional. Que podem “ter dinheiro” ou “encontrar sua alma gémea”. Não é assim!

Assumir um compromisso de trabalhar espiritualmente significa: trabalho! Trabalho e mais trabalho.

Obviamente ao tratarmos das dores alheias passamos a ter maior compreensão, mais tolerância, pois deveríamos passar a analisar cada lance da vida com novos olhos. Deveríamos sempre olhar o quê os outros não atinam imediatamente. Podemos analisar com o conhecimento dos dois planos!

Ao nos tornarmos mais afáveis, tolerantes, compreensivos, passamos também a atrair pessoas melhores para nossas vidas, oportunidades melhores, que antes não eram visualizadas por conta de nosso negativismo. Já repararam que quando você está reclamando de algo, logo aparece outra pessoa reclamando mais? Até quando fica falando que está com dor de cabeça, logo aparece outro dizendo que a dele dói mais? Reclamamos de problemas financeiros e nos juntamos com outros ainda mais “quebrados” que nós.

Porém, ao olharmos a vida sob a óptica deixada por Tia Neiva, elevamos nosso padrão vibratório, ficamos “mais positivos”, e passamos a atrair naturalmente o bom e produtivo para nossas vidas.

A mudança vem de dentro para fora. Pela consciência e compreensão é que podemos mudar nossas vidas e sermos felizes. Não é você entrando para a Doutrina que tudo vai mudar, é a Doutrina entrando em você e lhe auxiliando a promover a necessária mudança interna, que naturalmente se reflectirá no seu exterior... em sua vida material, em sua vida amorosa, em sua saúde...

Pare de reclamar, de julgar os outros e olhe para dentro de si mesmo! Entenda que também cada um tem seu tempo e, se você conseguir despertar com este pequeno texto, não queira exigir que o outro também desperte.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Formação da UESB 03.11.1959


FORMAÇÃO DA UESB 03.11.1959

Recebemos, eu e meu companheiro Getúlio, ordem espiritual para virmos aqui morar e junto a nós veio um bom servidor de Deus - António, o Carpinteiro, como o chamavam os espíritos.
Meu companheiro, Getúlio da Gama Wolney, e António começaram a trabalhar desesperadamente nas construções de prédios de madeira para morarmos, enquanto eu, Gilberto, Raul, Carmem Lúcia e Vera Lúcia, saíamos em busca do ganho material: com um pequeno veículo vendíamos, em Brasília, roupas feitas e bijuterias, e só mesmo com a protecção de Deus fazíamos boas vendas e todos os dias, ao finar o dia, eu e meus filhos nos reuníamos e repartíamos o dinheiro. Metade era para comprar géneros alimentícios, e com a outra metade comprávamos gasolina e tecidos, para que eu e Wilma - a esposa do António Carpinteiro - os transformasse em saias de senhoras, enfim, roupas feitas. Trabalhávamos à noite e seguíamos no outro dia, depois de um almoço cedo. Como todos sabem, o pouco com Deus é muito!
Em poucas horas, coisa mesmo de admirar, lá vínhamos eu e meus filhos, no mesmo regime do dia. E assim passaram os dias, os meses. A caridade já me tomava parte do ganho material.
E os visitantes! Já podia contar 20 ou 30 pessoas nos domingos, para almoços e jantares que eu me via obrigada a servir, pois os mesmos se acomodavam em minha casa.
Meus Deus - pensei muito -, será possível que só escolhestes avarentos e acusadores? Que Deus me perdoe por meus instantes de dor, quando me faltava a compreensão ante aqueles exploradores! Comecei a sentir desprezo pela vida material. Eles estragavam sempre os meus planos. Quantas vezes eles chegavam e, na minha própria casa, ali comodamente, começavam a discutir, recriminando tudo o que, com sacrifício, fazíamos eu e meu companheiro.
Nada dizíamos. Era mesmo horrível. Eu olhava ao redor e via, na verdade, material para construirmos. Porém, via também que os trabalhadores precisavam comer. Alguém teria que sustentá-los.
Fui então vendo todo o sofrimento dos meus filhos e do meu companheiro Getúlio. Já sem entusiasmo, continuava eu. A caridade se alastrava, com bela emanação, aos que não a conheciam. A luz da Verdade começava a reluzir nas iniciais que comandava aquela terra sagrada - UESB!
Enquanto lutávamos para o nosso infeliz sustento e grandeza da obra, outros se reuniam até mesmo na minha casa, e ali ficavam a ofender nossa Irmã Neném (Directora Espiritual), que também, àquela altura, tinha vindo residir aqui.
Eram horríveis os nossos primitivos cobradores! Todos se revoltavam... Todos começavam a vibrar a inquietude da revolta íntima. Muitas vezes desencadeavam-se discussões e, muitas vezes conheci o ódio nos corações de alguns. Porém, com toda aquela incompreensão quem mais sofria era eu! Tudo desencadeava em mim, na verdade, além de todas as torturas que pensam sentir os pobres sem compreensão que desejam servir a Deus.
Sentia eu também pela rebeldia de não gostar de morar no mato, a falta de conforto material, a mudança de profissão, ver arrancados dos estudos os meus filhos. Tudo era tortura para mim e meu companheiro. E pelos mesmos trilhos passava a Irmã Neném com os seus filhos.
António Carpinteiro e nós todos víamos chegar, batendo em nossas portas, nossos velhos credores antepassados, nos cobrando centil por centil. E assim pagávamos, sem as forças necessárias do bom trabalhador em Cristo.
Os tempos passavam e eu, com o mesmo ideal de vencer, continuava também no mesmo comércio, porém em dias alternados, pois a caridade não me dava mais tempo. Chegavam aqui pessoas de todos os lugares, com enfermidades para serem curadas. E Deus me dava forças nesta Terra, fazendo assim as mais perfeitas curas.
Devido a essa enchente de pessoas, marquei uma taxa a ser paga pela pessoa que tomasse refeições no bendito abrigo que chamávamos de “hotel”. Esta taxa era de 40 cruzeiros por dia. Na maioria, eram indigentes, e eu os sustentava, sem qualquer ajuda que não fosse lançada em meu rosto ou alegada por toda parte. É muito fácil oferecer alguns quilos em géneros alimentícios. Porém, oferecer o próprio sustento dos filhos, tirando-lhes a metade do que lhes é justo, e, em amor do Cristo, oferecer a quem pensamos ser um estranho, não é fácil, meus irmãos!... E eu o fiz!
Carmem Lúcia, minha filha de 15 anos; Gertrudes, minha filha adoptiva; Marly, filha de nossa querida Directora Irmã Neném, uma linda jovem bacharela, a todas eu incentivava ao trabalho na cozinha para os doentes. Muitas vezes sentia medo que elas se envaidecessem com os elogios dos visitantes.
Certo dia, após uma de minhas incorporações, recebi da Directora uma ordem que teria sido dada pelo espírito secretário do nosso Pai Espiritual Seta Branca, espírito este a razão porque ali vivíamos assim, e que teria dito que eu e meu irmão Jair teríamos que entregar nossos veículos em troca de um possante motor gerador de força eléctrica.
Não titubeamos e, assim, eu e meu bom irmão, que foi para mim uma força ajudadora, entregamos os nossos tão úteis carros. Começou, então, a piorar a minha situação material.
Senti que devia preparar-me para receber as avalanches...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Sofredor conversa nos tronos?

Sofredor conversa nos tronos??

Um irmãozinho (prefiro chamar assim a nominar como espírito sofredor) não cai de paraquedas nos Tronos. Um Mentor o conduz! Este é o primeiro ponto a ser considerado antes da resposta.

Existe um preparo espiritual que pode envolver diversas Entidades neste verdadeiro trabalhode resgate. Parentes espirituais, o Mentor do próprio irmãozinho, o Mentor do paciente, a “guarda” do Cavaleiro e Guia Missionária dos médiuns...

O espírito pode chegar em diferentes condições: pode chegar sofrido, esperando ansiosamente aquela oportunidade; revoltado por ter sido trazido até ali; com ódio do paciente, por conta dos reajustes; enfim, de maneiras que não podemos saber até o momento em que se apresenta.

O Apará sente as vibrações da incorporação mais pesada. Quando o espírito chega com raiva, se ele permitisse, algumas vezes, o espírito poderia aproveitar-se da incorporação e “voar no pescoço” do paciente. Sim, ele sente vontade de falar, desabafar, conta sua versão da “história” que os envolve (paciente / irmãozinho), porém...

Porém o dever do Apará é controlar a incorporação! Não permitir as agressões físicas e também as verbais. Haja vista que um irmãozinho não tem qualquer compromisso com a verdade, vai contar apenas sua versão limitada da história e sem ao menos saber o quê passou anteriormente, em outras vidas. Às vezes aquilo que parece uma grande cobrança, na verdade igualmente foi um reajuste no passado.

POR ISSO UM SOFREDOR NÃO PODE PASSAR COMUNICAÇÃO NOS TRONOS!

Uma comunicação de um sofredor poderia desequilibrar a vida de um paciente para sempre! Gerar um novo karma e este de responsabilidade do Doutrinador e do Apará envolvidos! Do Apará porque permitiu a comunicação, porque deixou seus sentimentos mesclarem-se com o do espírito e facilitou a comunicação. Do Doutrinador, porque ele é o comandante, não a entidade. O comando e a responsabilidade dos Tronos é do Doutrinador. Sua obrigação é interromper e impedir que se processe algo assim.

Ao receber um irmãozinho revoltado, o Apará deve emanar apenas amor! Deve transmitir a ele sua caridade, vibrar com a possibilidade dele clarear a mente pela limpeza de aura promovida pelo Doutrinador e que possa sentir este amor! Que se sinta acolhido recebendo a oportunidade de mudar a sua vida. O Apará JAMAIS pode permitir que suas próprias frustrações se misturem com os sentimentos de revolta do irmãozinho, isso é extremamente perigoso para todos!

O Doutrinador, por sua vez, deve doutrinar com Amor. Sentir que verdadeiramente limpa a aura do espírito. Sentir e viver cada uma das palavras que profere em sua doutrina. O irmãozinho sente! Ele sente se está recebendo uma doutrina robotizada, ou se existe ali sentimento, emanação, compromisso com a verdade.

Salve Deus! Existem trabalhos especiais, Angicais e algumas oportunidades (raras) em trabalhos de libertação por Julgamento. Somente nestes casos, pelas bênçãos da Espiritualidade e dentro de uma ritualística Iniciática trazida por nossa Mãe Clarividente, é que podem haver comunicações. Nestes trabalhos não passam pacientes. Somente médiunspreparados para estas situações.


Kazagrande


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Caridade

No mundo missionário dos espíritos há sempre uma luz que predomina, mas há, também, sempre um missionário que refreia os seus dotes de bom cristão e vai penetrando ele mesmo, e, em vez de puxar a sua missão para fora, fica a se promover como aquele que tem as suas superstições e vive a acender velas atrás da porta...”
 
E, quando parte a sua nave, porque a sua história terminou, ele chega do outro lado e encontra um mundo dinâmico, fica a se envergonhar atrás de suas roupinhas velhas trazidas da Terra.
Sim, meu filho, a vida é igual às vidas. Temos muito que fazer dentro da nossa individualidade. Por isso, nos encontramos, todos os dias, com ela. Formamos os nossos sonhos e nos atiramos nos grandes painéis que formam o calendário da vida na Terra. Sim, na Terra, porque a Terra só ouve os nossos lamentos quando abrirmos os nossos plexos.
É por isso que eu os vejo tão grandes e acredito em vocês, meus filhos jaguares, e nas coisas que vocês têm para oferecer, e porque os ensinei a transmitir o suficiente em suas jornadas. Tenho que ensinar-lhes mais coisas e, muitas vezes, penso como o velho Serrano.
O velho Serrano tinha o seu castelo na subida da serra e emitia as coisas que lhe vinham e que ouvia do céu. Contam que, depois de ensinar com esmero um grupo de jovens e fazê-lo missionários cristãos, explicou-lhes como “limpar” seus caminhos e como devia caminhar um missionário cristão...
O fato é que, chegando o dia da partida daquele grupo, um missionário perguntou-lhe:
- Mestre, o que devemos fazer de melhor, quando sairmos daqui? Usar os dons da sabedoria, da ciência, da fé? O dom de curar enfermos, as operações maravilhosas nos castelos e palácios? Discernir um espírito... Qual a maior virtude?
- A maior virtude - respondeu-lhe o Mestre - é a CARIDADE sofredora, a benigna caridade, aquela caridade que o missionário faz sem leviandade, sem sublimação, até pelo contrário, às vezes, se esquece até de Deus para servir ao seu semelhante. Essas são as pedras brilhantes que vão enriquecendo o nosso pobre tesouro, em nossa Legião: a caridade sofredora!
Terminadas suas explicações, Mestre Serrano, batendo nas costas de cada um, soluçando, despediu-se. Todos fizeram o mesmo com seu Mestre, e foram cumprir com sua missão.
 
Desceram prontos e, com eles, um só pensamento: “O Ssenhor é o meu rochedo, o meu lugar forte, a minha fortaleza em que confio, o meu escudo, a minha salvação; em Deus Pai Todo Poderoso encontrarei o meu refúgio!”
Enquanto andavam, um tagarelava:
- È, Mestre Serrano nos disse que, quando adquiríssemos a prática, seria tempo de afiarmos nossas ferramentas. Estamos afiados, porque não fazemos mais aquelas perguntas insignificantes, viu? Todo aquele acervo científico que adquirimos toda luz do nosso mestre resultou em poucas palavras: A virtude está na caridade, no auxílio da caridade sofredora!
Riram! Nisso, começou uma polêmica científica, em que se equiparavam ao Mestre. Viram o quanto eram maravilhosos os ensinamentos daquele Mestre. Ficaram tão empolgados que quase não se aperceberam de uma mulher chorando, sentada na estrada, tendo a sua ferida sangrando.
Apavoraram-se com aquele sangue e, de imediato, ergueram as mãos para o céu, pediram a Deus a força do Prana, e a mulher ficou curada.
Meu filho jaguar, não devemos pesar os nossos dotes, e não vamos dar explicações uns para os outros daquilo que fizemos ou adquirimos. Cada um procure saber o que adquiriu, consigo mesmo.
Meu filho, esta é a nossa primeira aula e vou procurar deixar em cada uma, uma passagem escrita.
Cuidado, filho! Lembro-me de uma vez que, ali nas imediações do IAPI, curei uma mulher que, também, sangrava muito e, ao chegar em casa, eu falava para uma porção de motoristas sobre o que fizera, quando Pai João de Enoque chegou ao meu ouvido e alertou:
- Fia, cuidado! Estás conversando muito... Próxima de você tem outra mulher com um problema semelhante e, talvez, você não possa curar... Essa não é a sua especialidade. Sua especialidade ainda é a Doutrina, e não lhe foi entregue ainda um Mestre!

Isso aconteceu em 1959. (Tia Neiva, 31.7.84)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A verdadeira caridade


Meus irmãos e irmãs, Salve Deus!

A Lei do Auxílio determina que toda ação realizada de maneira despretensiosa e sem possiblidades de obtenção de benefícios pessoais, gera um “crédito” para nossos enredos kármicos.

Quando nos dispomos a trabalhar mediunicamente passamos a reservar um tempo de nossas vidas para a prática da caridade, para a doação de nosso “excesso” de energia (característica que define o médium) em prol de nossos irmãos, encarnados e desencarnados.

Pacientes desconhecidos são atendidos com nosso total desprendimento e vamos além: recebemos os irmãozinhos que os acompanham e doamos nosso amor, nosso conhecimento, nossa energia. Encaminhamos a aqueles que nada podem nos dar, que não tem absolutamente nada para retribuir. Essa é a verdadeira caridade! Semeamos o perdão, instruímos que somente o amor pode aplacar as tristezas e o perdão é que traz a verdadeira libertação.

Muitos de nós, imbuídos no desejo de fazer mais pelos seus semelhantes, de compartilhar o quê possuem, questionam a possibilidade de realizarmos ações sociais, movimentos de caridade física e até mesmo recebermos apoio governamental com o reconhecimento de nossa Doutrina como de “cunho social e filantrópico”.

Porém, “alimentar o corpo é uma caridade humana, alimentar as almas é sublime”. Em primeiro lugar estão nossos trabalhos espirituais! A realização da verdadeira caridade que não trará nenhum tipo de reconhecimento, aquela realizada ao total desconhecido... ao espírito que sequer possui um corpo físico e não tem qualquer possibilidade de retribuir.

Entendo os desejos de servir, de “fazer mais” de muitos de nossos irmãos... Mas nossa Doutrina não tem oficialmente um cunho social, não busca sequer qualquer reconhecimento da sociedade. Alimentamos espíritos, curamos as feridas da alma, sanamos as mentes conturbadas e semeamos a esperança onde ninguém mais poderia. Por isso usamos uniformes que nos colocam em pé de igualdade na hora de prestar atendimento ao paciente. Nos Tronos, na Mesa, não existem hierarquias, posições... Todos são Doutrinadores e Aparás, apenas. São iguais, atendemos aos que nos são enviados pela Espiritualidade, sem qualquer distinção. Ali, o paciente não sabe “o quê é um Arcano, ou uma Regente”... A Lei do Auxílio traz de volta a verdadeira humildade também!

Como são belas as obras sociais, como são sublimes os trabalhos Iniciáticos!

Mais bela é a verdadeira caridade!

Mais sublime é a consciência e humildade de JAMAIS nos afastarmos da singeleza dos Tronos e da Mesa.


Kazagrande

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O céu está para todos, mas nem todos estão para o céu.


Texto de nossa irmã Maria das Graças dos Santos por ocasião se preparar-se para a missão de pintar o mural ao fundo da imagem de Pai Seta Branca, no Templo do Amanhecer de Olinda. Vale a pena reflectir!!!

Naquela Era distante onde a humanidade estava mergulhada na escuridão da ignorância fazendo-os cegos espirituais, Jesus nasceu para dar o testemunho da Verdade Espiritual de Deus.

Jesus sempre existiu por toda a eternidade, mas os homens o desconheciam e tinham uma visão distorcida de Deus. E assim ele nasceu no plano físico se fazendo homem, humano como todos nós. Na simplicidade ele revelou a Presença Divina, tocando os corações endurecidos estimulando-os a vencer a cegueira interior para que o Cristo despertassem em seus espíritos e os mesmos pudessem enxergar o Céu. Entre os cidadãos daquela época Jesus chamou os homens simples para ser seus discípulos como também Maria Madalena. Eram espíritos que traziam uma bagagem transcendental que os capacitavam pra aquela missão. A simplicidade de suas vidas os protegiam da vaidade e do egoísmo estremo que se transformava em arrogância dos sacerdotes fariseus entre outros.

Jesus nasceu na simplicidade e irradiava a luz divina tocando a todos com seu olhar e seu sorriso. Foi o nascimento da Luz do Mundo, a estrela da manhã que anunciava o nascimento da Boa Nova de Deus para a humanidade: o Evangelho.

Jesus dizia: “EU SOU O PÃO DA VIDA”. Dos campos vem o trigo que é transformado em massa e nas mãos do padeiro é amassado junto com outros ingredientes vai se transmutando na alta temperatura do forno completando o processo como pão que alimenta a todos. Jesus veio como pão que alimentava as almas saciando a fome de luz.

Na última ceia, Jesus partiu um pão em pedaços e distribuiu aos seus discípulos para se alimentassem. “UM SE MULTIPLICA EM PEDAÇOS PARA QUE ESTES SE REÚNAM E SE TORNEM UM”. Cada discípulo deixou de ser testemunha da missão de Jesus para viver a missão com o Cristo interno desperto que se transformou em estrela guia de suas jornadas, os quais conduziam as pessoas no caminho de volta para Deus. Sendo assim multiplicaram o Evangelho por vários povos.

Francisco de Assis: espírito luminoso que nasceu na cidade nas proximidades de Roma onde o Evangelho estava sendo distorcido e a humanidade caindo no abismo do egoísmo extremo. Francisco de Assis ainda jovem despertou para sua missão e trouxe sua mensagem de desprendimento dos bens e conceitos materiais eleitos como o que melhor se poderia almejar na época. Francisco se espelhou no Evangelho em sua pureza original expressando o Cristo interno em cada palavra, em cada gesto. E com amor, humildade e tolerância foi tocando as mentes ignorantes e vaidosas e corações endurecidos reactivando os valores espirituais esquecidos, legítimos do Evangelho em suas vidas. Com essa atitude Francisco estimulava a todos em retomar o caminho de volta pra Deus. A sua presença no mundo estabeleceu a luz espiritual sobre a humanidade e chamou à atenção do Céu atraindo espíritos de luz que se uniram na mesma missão.

Este mesmo espírito retorna à terra e encarna nas floresta dos Andes assumindo a roupagem indígena em contacto com a natureza ainda virgem do contacto com a civilização. O amor e a sabedoria das Eras dava ao cacique Seta Branca junto com Yara a condição de lapidar espíritos encarnados que tinham natureza rebelde, endurecida que precisavam morrer para a velha estrada “olho por olho, dente por dente” para nascer no novo caminho de “humildade, amor e perdão.” A condição de índios, favoreciam esse processo.

A ocasião em que Seta Branca expressou todo o seu amor incondicional com a sabedoria divina, revelou-se quando estava no campo de batalha entre sua tribo e os espanhóis. Nessa ocasião ele ergueu sua lança para o céu e fez uma oração cujo poder espiritual provocou o desarmamento dos seus guerreiros e dos soldados espanhóis, levando-os a retornar para seus lares sem derramar sangue.

Na era actual Pai Seta Branca plantou a bandeira rósea do amor através da Doutrina do Amanhecer (revelado pela nossa mãe clarividente Tia Neiva), chamando-nos de meus filhos amados para que nessa jornada sejamos “os trabalhadores da última hora.”

Por esse novo caminho ensina-nos a modelar o nosso espírito através do Evangelho de Jesus Cristo utilizando o trabalho na lei de auxílio dessa Corrente espiritual e ofertando a todos necessitados que nos procuram: tanto os menos favorecidos como os mais abastados da sociedade. E para que o nosso despertar não se perca, trabalhamos sob a égide dessas palavras: AMOR, HUMILDADE E TOLERÂNCIA.

Assim como naquela era distante o nascimento de Jesus tocou a todos com sua luz, neste momento Pai Seta Branca vem nos tocar com seu resplendor e romper a nossa cegueira espiritual promovendo um novo amanhecer da Era de Ouro em nossas vidas.


Maria das Graças dos Santos