quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Os trabalhadores da última hora


Os trabalhadores da última hora


Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.
 (S. Mateus, cap. XX VV 1 a 16).


A interpretação desta passagem do Evangelho de S Mateus, pela Doutrina Espírita, quando bem entendida, traz mais um dos tantos benefícios consoladores aos que anseiam por definir rumos mais ditosos em suas vidas.

Na parábola dos Trabalhadores da Última Hora, o Mestre Jesus compara o proprietário de uma vinha ao Pai Maior e os trabalhadores a seus filhos, nós todos.
Bem entendida, a parábola nos esclarece que as oportunidades de trabalho surgem sempre a todos, mesmo em horas tardias, e que se atendido este convite, que chega sempre em hora certa, a paga será compensadora, visto que estivera o trabalhador sempre pronto.
Já nos diz o espírito André Luiz no livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier: “Quando o trabalhador está pronto, o serviço aparece”.
Falamos sim do trabalho que a Doutrina Espírita oferta a todos que se dispõe a divulgá-la e a vivê-la.
Assim como um profissional especializado precisa de uma formação, de um treinamento para iniciar seu trabalho de forma produtiva e eficiente, dá-se o mesmo com aquele que poderá servir ao Cristo Jesus, seja em que âmbito for, na divulgação e testemunho do Seu Evangelho.
E para a Doutrina Espírita não é diferente.
Em sua célula básica de divulgação, a Casa Espírita, tem-se a oportunidade de inicialmente usufruir dos benefícios que esta lhe alcança e, posteriormente, se aceito o convite que lhe for feito, contribuir para a continuidade das actividades da Casa.
Como em qualquer organização humana, existem muitas tarefas que podem ser realizadas em uma Casa Espírita, cuja preparação não começa quando do início do convívio, mas muito antes, quando o mundo espiritual nos guia e nos oferta trilhas, algumas tortuosas mas necessárias, para que possamos passar pela vinha do Amor.
Nessa “Casa do Caminho” que por vezes nos demoramos para descansar de algum sofrimento, realinhando nossa trajectória pessoal, podemos encontrar o amparo redentor que a caridade de um trabalho voluntário nos traz, e cujo valor ainda não conhecíamos.
Podemos experimentar as tarefas mais simples, colocando nossa humildade em prática, enquanto nos aprofundamos nos virtuosos conhecimentos da Codificação Kardequiana.
Sendo pequenos, mas fazendo parte de um todo maior, sentiremos a felicidade de estarmos apenas colaborando, sem nada esperar em troca.
Podemos experimentar aquela sensação de fazer parte de um grupo que visa somente o bem do próximo, anulando nosso personalismo e por vezes até com a sublime sensação de sermos percebidos apenas como instrumentos de amor do Pai.
Muitas vezes nós nos surpreendemos pensando: “não tenho condições, não sou capaz”, ante uma oportunidade de sermos úteis.
Este momento é delicado, pois é o Pai que nos conclama a sermos os “trabalhadores da última hora”.
Se nos refugiarmos em justificativas que sabemos vazias, aí sim a paga nos será menor quando finalmente nos decidirmos a seguir o caminho da fraternidade, que chega-nos cedo ou tarde.
A Casa Espírita é, como outras obras de amor, semelhante a vinha da parábola, aguardando quem nela trabalhe na semeadura, e na colheita.
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