quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Caridade

No mundo missionário dos espíritos há sempre uma luz que predomina, mas há, também, sempre um missionário que refreia os seus dotes de bom cristão e vai penetrando ele mesmo, e, em vez de puxar a sua missão para fora, fica a se promover como aquele que tem as suas superstições e vive a acender velas atrás da porta...”
 
E, quando parte a sua nave, porque a sua história terminou, ele chega do outro lado e encontra um mundo dinâmico, fica a se envergonhar atrás de suas roupinhas velhas trazidas da Terra.
Sim, meu filho, a vida é igual às vidas. Temos muito que fazer dentro da nossa individualidade. Por isso, nos encontramos, todos os dias, com ela. Formamos os nossos sonhos e nos atiramos nos grandes painéis que formam o calendário da vida na Terra. Sim, na Terra, porque a Terra só ouve os nossos lamentos quando abrirmos os nossos plexos.
É por isso que eu os vejo tão grandes e acredito em vocês, meus filhos jaguares, e nas coisas que vocês têm para oferecer, e porque os ensinei a transmitir o suficiente em suas jornadas. Tenho que ensinar-lhes mais coisas e, muitas vezes, penso como o velho Serrano.
O velho Serrano tinha o seu castelo na subida da serra e emitia as coisas que lhe vinham e que ouvia do céu. Contam que, depois de ensinar com esmero um grupo de jovens e fazê-lo missionários cristãos, explicou-lhes como “limpar” seus caminhos e como devia caminhar um missionário cristão...
O fato é que, chegando o dia da partida daquele grupo, um missionário perguntou-lhe:
- Mestre, o que devemos fazer de melhor, quando sairmos daqui? Usar os dons da sabedoria, da ciência, da fé? O dom de curar enfermos, as operações maravilhosas nos castelos e palácios? Discernir um espírito... Qual a maior virtude?
- A maior virtude - respondeu-lhe o Mestre - é a CARIDADE sofredora, a benigna caridade, aquela caridade que o missionário faz sem leviandade, sem sublimação, até pelo contrário, às vezes, se esquece até de Deus para servir ao seu semelhante. Essas são as pedras brilhantes que vão enriquecendo o nosso pobre tesouro, em nossa Legião: a caridade sofredora!
Terminadas suas explicações, Mestre Serrano, batendo nas costas de cada um, soluçando, despediu-se. Todos fizeram o mesmo com seu Mestre, e foram cumprir com sua missão.
 
Desceram prontos e, com eles, um só pensamento: “O Ssenhor é o meu rochedo, o meu lugar forte, a minha fortaleza em que confio, o meu escudo, a minha salvação; em Deus Pai Todo Poderoso encontrarei o meu refúgio!”
Enquanto andavam, um tagarelava:
- È, Mestre Serrano nos disse que, quando adquiríssemos a prática, seria tempo de afiarmos nossas ferramentas. Estamos afiados, porque não fazemos mais aquelas perguntas insignificantes, viu? Todo aquele acervo científico que adquirimos toda luz do nosso mestre resultou em poucas palavras: A virtude está na caridade, no auxílio da caridade sofredora!
Riram! Nisso, começou uma polêmica científica, em que se equiparavam ao Mestre. Viram o quanto eram maravilhosos os ensinamentos daquele Mestre. Ficaram tão empolgados que quase não se aperceberam de uma mulher chorando, sentada na estrada, tendo a sua ferida sangrando.
Apavoraram-se com aquele sangue e, de imediato, ergueram as mãos para o céu, pediram a Deus a força do Prana, e a mulher ficou curada.
Meu filho jaguar, não devemos pesar os nossos dotes, e não vamos dar explicações uns para os outros daquilo que fizemos ou adquirimos. Cada um procure saber o que adquiriu, consigo mesmo.
Meu filho, esta é a nossa primeira aula e vou procurar deixar em cada uma, uma passagem escrita.
Cuidado, filho! Lembro-me de uma vez que, ali nas imediações do IAPI, curei uma mulher que, também, sangrava muito e, ao chegar em casa, eu falava para uma porção de motoristas sobre o que fizera, quando Pai João de Enoque chegou ao meu ouvido e alertou:
- Fia, cuidado! Estás conversando muito... Próxima de você tem outra mulher com um problema semelhante e, talvez, você não possa curar... Essa não é a sua especialidade. Sua especialidade ainda é a Doutrina, e não lhe foi entregue ainda um Mestre!

Isso aconteceu em 1959. (Tia Neiva, 31.7.84)
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