terça-feira, 25 de setembro de 2012

Julgamento

Dentro de nossa vida temos que tomar decisões que são resultantes de diversos raciocínios simples que surgem em face das vantagens e desvantagens daquela determinada situação, por nós avaliada, e tornam sua forma de acordo com sua adequação à nossa realidade e às formas legais a que estamos sujeitos.
Isso se constitui na forma mais simples de julgamento. A mais complicada é a que normalmente se faz entre os Homens, quando se julgam atos e pensamentos, sem atentarmos para toda a complicada rede vibracional que envolve cada um de nós, de forças transcendentais e cobranças que levam o Homem a agir e a reagir de formas diferentes diante de uma mesma situação, sendo ainda, importante, considerar as ações de obsessores que levam suas vítimas ao cometimento de erros e situações terríveis, independentemente da vontade delas.
Quando tivermos que avaliar alguém ou alguma situação, não nos deixemos levar pelas aparências, pela precipitação e nem pela impiedade, e vamos evitar fazê-lo quando estivermos sob a ação de cargas negativas de raiva, mágoa ou tristeza. Temos que nos colocar à parte de nossas avaliações, sem querer tirar proveito próprio de qualquer decisão, que deverá ser norteada pela caridade, pela bondade e pela compaixão. Com base na razão, temos que admitir nossa impotência perante fatos surpreendentes com que nos deparamos e não há como entendê-los e, portanto, nem serem avaliados, uma vez que são envolvidos pelas vibrações de cobradores sutis e terríveis que estão gerando vibrações tempestuosas que alteram a nossa própria sensibilidade e equilíbrio.
Os árabes, em sua sabedoria milenar, pedem a Alah que não permita que julgue seu próximo sem andar sete dias em suas sandálias. Isso mostra como é impossível julgar nosso próximo, porque não temos como efetivamente avaliar tudo que está envolvido numa determinada situação, seja no aspecto espiritual, moral ou psico-mental, sem fazer a projeção do nosso próprio íntimo, de nossa escala de valores, de nossas imperfeições.
Existe grande número de pessoas que se tornam justiceiras, revestindo-se de ares puritanos e falsos conhecimentos, julgando duramente o próximo, apenas porque estão projetando nele suas próprias imperfeições, das quais não conseguem se libertar. Ficam acomodadas em suas vidas desgastantes e inúteis, presas à idéia de uma existência nefasta e sem propósitos. Não tomam decisões, não encontram soluções, mas sabem condenar, julgar, incriminar o próximo, a família, a sociedade e o mundo, omitindo-se do seu livre arbítrio na responsabilidade pelas próprias escolhas.
Na nossa Doutrina do Amanhecer aprendemos que não nos é permitido julgar, nem sequer criticar os atos praticados por outros, pois tudo está de conformidade com a evolução daquele espírito. Passamos a conhecer melhor nossos irmãos, espíritos que estão acomodados mental e moralmente, e incapazes de evoluírem pelo conhecimento e pelo trabalho na Lei do Auxílio, mergulham nas críticas e julgamentos daqueles que se propõem a cumprir suas missões. Querem punir nos outros os erros que sabem ser seus, desejando destruir aquela própria imagem projetada, que odeia e não tem força para reagir. Quem poderá dizer qual a natureza das milhares de ações praticadas pelo Homem comum em seu cotidiano? Não há como fazê-lo sem incorrer em graves erros, que podem causar um mal maior do que a própria ação praticada, agindo com forças que se contrapõem aos princípios da ética e da justiça.
Nos Evangelhos, vamos encontrar em João (III, 16 a 21): “Porquanto Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu Filho Unigênito, para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna. Nem Deus enviou seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não será condenado; mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho Unigênito de Deus. E esta é a causa da sua condenação: a Luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a Luz, porque eram más as suas obras. Mas aquele que pratica a verdade chega-se à Luz para que as suas obras sejam conhecidas, porque são feitas em Deus.” E João (12, 44 a 48) nos fala mais de julgamento: “Jesus bradou e disse em alta voz: Quem crê em mim, não crê em mim, mas naquele que me enviou, e quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. Eu, que sou a Luz, vim ao mundo para que todo aquele que crê em mim não fique nas Trevas. E se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, não será julgado por mim, porque não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, já tem o seu juízo. Esta mesma palavra que eu lhe anunciei há de julgá-lo no último dia!”
Torna-se, porém, clara a idéia de que existem fatos que independem do julgamento: atos praticados por pessoas que se enquadram no que nos é dito por Mateus (7, 16 a 20), sobre como Jesus ensinou a reconhecermos e nos protegermos dos falsos profetas: “Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura o Homem colhe frutas de espinhos ou figos de abrolhos? Assim, toda a árvore boa dá bons frutos e a árvore má dá maus frutos. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não dá bons frutos será cortada e metida no fogo. Assim, pois, pelos frutos deles conhecê-los-eis.” Isso já nos ajuda em casos que temos que reconhecer as pessoas por seus atos, isentos de julgamento mas entendendo seu significado, isto é, se são bons ou se são maus. Mateus (12, 33 a 35) relata a passagem em que Jesus reforça essa idéia: “Ou dizei que a árvore é boa e seu fruto é bom, ou dizei que é má e seu fruto é mau; porque é pelo fruto que se conhece a árvore. Raça de víboras, como podereis falar coisas boas sendo maus? Pois a boca fala da abundância do coração. O homem bom do bom tesouro tira coisas boas; mas o homem mau, do mau tesouro tira más coisas”.
Vemos pessoas que se comprazem em fazer o mal, em viver à margem da conduta doutrinária, praticando atos que não precisam de qualquer julgamento para serem considerados maléficos, afrontando a própria Doutrina com desrespeito às leis e aos ensinamentos de Koatay 108. Esses os maus frutos que definem a árvore má, sem preconceitos e sem julgamento! Maus frutos como boatos e fofocas, tão comuns entre os Jaguares, fogo devastador que rapidamente gera perdas morais, espirituais, sociais e financeiras, um péssimo hábito alimentado pelo Vale das Sombras.

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