quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Humildade


Uma das bem-aventuranças proclamadas por Jesus no Sermão da Montanha diz: “Bem aventurados os mansos, porque herdarão a Terra!”
Ser manso é ser humilde. A humildade é uma virtude do Homem que aprende a se dominar, aplacando seus sentimentos quase inconscientes de orgulho e soberba, reconhecendo seus limites ante a dignidade do próximo e sua limitação ante a grandeza de Deus. São simples no falar e sinceros e francos em suas ações, não fazendo ostentação de seus conhecimentos nem de seus bens materiais e, assim, ampliam suas amizades na Terra e conquista a bem-aventurança da Espiritualidade.
Quando sentirmos que alguém está pretendendo abusar da nossa humildade, devemos evitar reações negativas de raiva ou agressividade, e mostrar, com amor e compreensão, nossa reação à situação, porque humildade não é covardia!
Um dos alicerces da condição do Jaguar, a humildade junta-se à justiça e à verdade para formar as virtudes do médium que pretenda cumprir fielmente seus compromissos com a Espiritualidade Maior.
É preciso determinação e paciência, coragem e autoconfiança para caminhar, cada vez mais alto, na estrada da humildade. O grande exemplo foi o do Divino e Amado Mestre Jesus, cuja humildade, admirável e positiva, graciosa e redentora, nos ensinou, conforme Mateus (XI, 29 e 30): “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração: e achareis descanso para as vossas almas, porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve!”. E ainda em Mateus (XVIII, 1 a 5): “Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus discípulos dizendo: Quem julgas que é o mais importante no reino dos céus? E chamando Jesus a um menino, colocou-o no meio deles, e disse: Em verdade vos digo, que se vos não converterdes e vos não fizerdes como meninos, não entrareis no reino dos céus! Todo aquele pois, que se fizer pequeno e humilde como este menino, será o maior no reino dos céus. E o que receber, em meu nome, uma criança como esta, a mim recebe!”.
Em Lucas (XVIII, 9-14) encontramos a seguinte parábola: “Subiram dois homens ao templo para orar: um fariseu e outro publicano. O fariseu, posto em pé, orava dentro de si desta forma: ‘Ó, Deus, graças te dou, que não sou como os demais homens, que são ladrões, injustos, adúlteros – nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’. O publicano, porém, estando a alguma distância, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo:’Ó, Deus, sê propício a mim, pecador!’ Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas, o que se humilha, será exaltado.”
Jesus quis mostrar que o fariseu, orgulhoso de sua doutrina, de sua vida e de seus atos, se apresentou a Deus falando de suas boas qualidades e desprezando o publicano, que ali estava, com humildade, pedindo a Deus perdão por suas faltas. O Divino e Amado Mestre, em várias passagens evangélicas, condenou o orgulho dos homens, que vivem reconhecendo em si somente boas qualidades e condenam seus irmãos pecadores.
A verdadeira humildade não é a do Homem perante outro Homem, mas sim perante Deus. Jesus nos ensinou que pela humildade recebemos a ajuda divina, o prana.
Quantas vezes a Espiritualidade precisa de nós, nos procura, e fugimos ou nos escondemos, sem consciência de que fazemos isso simplesmente pelo orgulho.
Na Doutrina do Amanhecer temos que ter consciência de nossa missão e do que representamos: a Corrente é imensa, luminosa, de uma grandeza infinita, e nossa capacidade mediúnica será grandiosa se estivermos nela perfeitamente integrados, observando o que nos falta e não o que já temos, conseguindo evoluir pela harmonia com os planos espirituais e não por nossa simples e pequenina personalidade. Nós precisamos da Corrente - ela não precisa de nós: a partir daí temos condições de exercer nossa humildade.
Em João (XIII, 14 a 17), o Evangelista, relatando a passagem em que Jesus lavou os pés de seus discípulos: “Vós me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Se, pois, eu vos lavei os pés, eu que sou vosso Senhor e Mestre, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Eu vos dei o exemplo para que assim como eu vos fiz, o façais também. Em verdade, eu vos digo: o servo é maior do que o amo, nem o apóstolo maior do que aquele que o enviou. Se compreendeis estas coisas sereis felizes, contanto que as pratiqueis.”
Aprendemos, então, que devemos ter a simplicidade de coração, sem depender da vivência social, intelectual ou formal, na certeza de que é pela consciência humilde de nós próprios e não pelo amplo conhecimento geral que conseguiremos seguir os caminhos de Jesus. Não precisamos de elogios nem de reconhecimento, que são falsos brilhos, nem nos glorificamos pelo que fazemos na Lei do Auxílio, por que tudo significa, apenas, a obediência à nossa própria consciência. Não nos aborrecem aqueles que não reconhecem os nossos méritos como filhos de Pai Seta Branca, porque sabemos que ainda estão em sua marcha evolutiva e em estágio de incapacidade sensorial que não lhes permite entender a grandeza da Doutrina.
Nos trabalhos do Templo, as indumentárias nos igualam. Nosso uniforme faz com que todos se sintam sem distinções de classe, de cor ou de qualquer outro fator.
Uma grande lição de humildade nos é dada por Pai Seta Branca, que desce de sua grandeza e plenitude para se submeter a um comando quando, incorporado em um simples médium, nos traz sua bênção.
E essa humildade sentimos e nos ilumina em todos nossos trabalhos com a Espiritualidade.
Por que, então, seríamos orgulhosos e arrogantes? O médium de incorporação corre riscos de se engrandecer, vaidoso das entidades que incorpora, esquecido de que ele é simples instrumento e, como tal, tem que estar em perfeitas condições para ser utilizado pelos Mentores. O Doutrinador também tem que ter a humildade de reconhecer o trabalho feito por seus Mentores e Guias, que, em momentos difíceis, falam e resolvem as coisas através dele. Apará e Doutrinador têm que ter a consciência e a humildade de reconhecerem que são tão somente instrumentos da Espiritualidade, do que sabem que não sabem, e pedem a constante proteção dos Espíritos de Luz, mantendo uma vibração positiva, potente e luminosa.
Amor, tolerância e humildade! São os três reinos de nossa natureza, são o nosso caminho, devem ser nossa preocupação constante. O verdadeiro médium, com amor, faz sua preparação, chega diante do Pai Seta Branca e humildemente suplica: Pai, aqui estou, com todo o meu amor, para que disponha de mim conforme a Sua vontade! E parte para o trabalho confiante na sua intuição, naquilo que vai receber dos altos planos espirituais.
A nossa missão é difícil, nossa jornada é cheia de obstáculos, e somente com humildade vamos entender que as dificuldades foram criadas por nós mesmos, em jornadas anteriores, e que não podemos culpar ninguém, além de nós mesmos, por nossos sofrimentos. Só a humildade nos auxilia, porque nos permite receber o prana, nos dá condições para contemplarmos nossos quadros com visão bem próxima da realidade e nos concede a grandeza de avaliar nossas ações dentro da Lei de Causa e Efeito.
Obedecer à hierarquia, ser humilde sem se humilhar, ser manso sem ser servil, cumprindo nossas metas cármicas com plena consciência do que somos e do que queremos ser dentro da perfeita conduta doutrinária, respeitando nossos próximos e buscando obedecer às leis da sociedade e da moral, sobretudo às Leis de Deus - eis nossas diretrizes como verdadeiros Jaguares.
Vamos ter sempre em mente de que, por mais conhecimentos que tenhamos, por mais bens materiais que possuirmos, por mais saúde física que pudermos aparentar, não somos melhores nem mais fortes do que qualquer de nossos irmãos.
Somos humildes porque conhecemos nossas fraquezas!
  • Entretanto, no Evangelho, tudo se resume na prática destas três palavras, que nós sempre repetimos: Amor, Tolerância e Humildade.
Agora, chegou o momento de saber até que ponto cada um de nós adquiriu a capacidade de perdoar, de tolerar, de ser humilde, de não julgar e de amar, e assim avaliar o ponto a que chegou em termos de amor incondicional!” (Tia Neiva, s/d)
  • Pai Seta Branca diz que:
A humildade e a perseverança de vossos espíritos conduziram-me ao mais alto pedestal de força básica que realizou esta corporação.
Mais uma vez você, com seu esforço, amor e humildade, encheu da maior alegria o coração de nosso Pai tão querido!” (Tia Neiva, Carta Aberta n. 6, 9.4.78)
  • Ser humilde é ser amor. Ser humilde é ser manso de coração, é ser tratável. Toda filosofia exige humildade de tratamento, principalmente para com aqueles que precisam de nossos cuidados. !” (Tia Neiva, 5.3.79)

  • O verdadeiro sentido da humildade é conseguir dar vazão, através de si mesmo, da maior pureza do céu, que é a Voz Direta.
Isto não diz respeito só ao Apará, mas, principalmente, ao Doutrinador, porque os Doutrinadores são os portadores do Terceiro Verbo, da Palavra, que é o fundamental do sistema crístico.” (Tia Neiva, s/d)
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