segunda-feira, 19 de maio de 2014

Honestidade e Conduta


Honestidade e Conduta


Certo dia, o Trino Araken Mestre Nestor Sabatovicz, em uma das suas aulas dadas às quintas-feiras em sua casa a um grupo reservado de Aparás, disse:

"Jaguares, o que vou contar a vocês me foi contado pela Tia”. Não estou inventando nada do que vocês vão ouvir. Pai João contou que certa vez houve uma reunião pedida pelo Pai Seta Branca no Anfiteatro de Capela, onde seriam recebidos os Doutrinadores Adjuntos de povos, interessados em se consagrar Arcanos.

E para terem acesso ao Anfiteatro foi distribuída uma sementinha de uma flor muito rara, que os Jaguares deveriam plantar em um vaso, e só então, depois de nascida, cada um deveria levá-la para a reunião. Passaram seis meses e todos os Doutrinadores que receberam a semente estavam com seus vasos nas mãos, com as mais lindas flores até então nunca vistas. Lá no fim da fila estava um Adjunto com seu vaso sem nenhuma flor.

Os demais o olhavam com certo desprezo e muitos até riam do vaso sem flor que ele conduzia. Depois de se acomodarem nos seus lugares, o Pai Seta Branca entra no recinto em companhia do Pai João, e os dois sentam-se silenciosamente. Então, Pai João levanta-se e chama pelo nome (não vou falar o nome a pedido da Tia) o Doutrinador que estava com o vaso sem a flor e o conduz até ao Simiromba, que lhe consagra Arcanos.

Todos os demais baixaram a cabeça ao ouvir que as sementes distribuídas eram estéreis, e que, portanto, não dariam nenhuma flor. Assim, somente um jaguar, em todo o grupo, tinha sido honesto e participado da reunião com seu vaso vazio, exercendo assim a conduta doutrinária da honestidade, o que lhe deu o direito da consagração que foi feita pelo Pai Seta Branca naquele momento.

O Pai, então, determinou a Pai João que fossem retirados do recinto todos os demais jaguares, levando os seus vasos e suas flores, e regressarem aos seus templos e informando ao seu povo o ocorrido na reunião.

Sabe quantos fizeram isso?
Nenhum...

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