segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

No Umbral - carta de Tia Neiva


NO UMBRAL

MEU FILHO JAGUAR, SALVE DEUS !

Esta cartinha é para a sua individualidade, é para que se lembre que estou aqui, sem poder sair, porém saudosa e me preocupando com você.
Filho: Estamos vivendo a moderna vida doutrinária, nos limites de nossas forças. Sim, filho, movimento espontâneo das almas, desta era para o 3 O milénio! Não se deixe confundir, filho, nem por mim nem por ninguém. Viva onde seu coração sentir expansão, sem conflito! Não se nivele aos aliciadores - não responda e não se exalte. Não se preocupe, porque cada um prestará contas somente a DEUS, que é sua própria consciência - o que é o mesmo.
Pai Joaquim sempre me pergunta:
- Como vai sua obra orgânica ?
Sim, filho, vamos procurar a sintonia com as nossas coisas mais sagradas, sempre melhorando, e você melhorando o seu ALEDÁ.
O motivo desta carta foi uma “viagem” que eu fiz.
Todas as madrugadas eu faço o seguinte juramento:
- Jesus! Arranque meus olhos no dia em que, por vaidade, eu tentar enganar os que me cercam, quando desesperados, me procurarem. Serei sábia, porque viverás em mim !
Filho, como sabe, Deus permitiu que eu tivesse o que é meu, um cantinho nas imediações dos UMBRAIS, no lugar chamado PONTA NEGRA. Eram três horas da madrugada, e eu ali estava, inquieta, como se alguma coisa estivesse para acontecer.
Realmente, não demorou muito e apareceu uma mulher que se debatia com três ELÍTRIOS, gritando:
- Oh, meu Deus ! De onde vieram estes bichos horríveis ?
Vi quando chegou alguém, e ela, sofrida, contava a sua história. Nisso, chegou PAI JOAQUIM DAS ALMAS, que me assiste em minhas viagens em outros planos. Pedi-lhe a bênção e que me explicasse o que se passava com aquela mulher.
- Essa mulher - explicou-me ele - amava um homem e por ele foi amada, no amor da afinidade das almas afins. Porém, o seu amor era obsessivo. Ele se evoluiu, enquanto ela não aceitava as coisas que aconteciam. Ele era um pobre homem, sem luz mas era um JAGUAR e ela também.
- Então, eles eram felizes e o VALE os separou ? - perguntei
- Filha, a missão é do missionário ! O JAGUAR não é espírito resignado. Em seu peito palpita a esperança e ele vive a buscar, a conhecer o alto, os sentimentos. Filha! a esperança é uma planta que revive em nosso SOL INTERIOR. Essa mulher era esposa de um Mestre Jaguar. Amavam-se muito, porém o JAGUAR tem o seu destino traçado pela DOUTRINA. Apesar do amor, ela não confiava nele e, ainda assim, não o acompanhou. O pobre Amaro vivia sob o jugo de Marta e ela o caluniava, destruindo seus momentos felizes. Quando chegou à doutrina, Amaro lançou-se a ela com amor e dedicação, trocando suas tardes de acusação e cenas de ciúmes pela realização no trabalho doutrinário. O Jaguar do Amanhecer, lembre-se, é o trabalhador da última hora, é o homem designado à condução de povos. Sua companheira é responsável, também, pela mesma missão. Amaro, cansado das eternas acusações de infiel e mau carácter, não aguentou mais: Abandonou Marta e foi seguir a sua missão. Ela, que jamais imaginara que isto aconteceria um dia, sempre procurando motivos para o magoar, sentiu-se perdida. E se suicidou, deixando uma carta acusadora, tentando, neste último gesto, criar uma situação pior para Amaro. Ela até se esquecera que a própria família dela o entendia e ficava ao seu lado. Tanto assim que, naquele dia, ele não fora ao VALE e sim, almoçar com os pais de Marta, que o adoravam.
E eu que pensara que ela estava chegando! No entanto, já estava há três meses. . . Fiz uma prece e formei o meu IABÁ. Imediatamente, os ELÍTRIOS a libertaram, voltando para Deus. Sua passagem foi tão ligeira que nem houve tempo de recuperação. Por que se foram tão facilmente ? É tão difícil conjugar a vida em dois planos. . .
- Sim, filha - continuou Pai Joaquim - Olha quem está chegando!
Era EUNÓBIO, acompanhado de um ÍNDIO muito bonito. Pedi a bênção a Eunóbio, que me disse ser o índio a alma gémea de Marta.
Por que julgar ? Por que tentar mudar as criaturas ?
Compreendi que Marta e Amaro haviam completado o seu tempo na terra. Como é perfeita a essa criação! Mais uma vez repito:
COMO É DIFÍCIL JULGAR OS NOSSOS SENTIMENTOS DE VIDA E MORTE !
COM CARINHO, A MÃE EM CRISTO JESUS
TIA NEIVA
VALE DO AMANHECER, 11 DE JULHO DE 1983

Enviar um comentário