terça-feira, 5 de junho de 2012

O Lider Espiritual


Ser um líder espiritual não é fácil. Assumir a missão como Sacerdote, Pastor, Bispo, Guia Espiritual, Dirigente Espírita, ou Adjunto de Povo em nossa Doutrina, significa que toda a sua vida será observada, suas menores ações e reações, serão tomadas como exemplo e muitas vezes julgadas com olhos apenas humanos.

Porém, o líder espiritual encarnado, é humano! Tem emoções, sofre, chora, ri e se entristece! Não é fácil sufocar todos os sentimentos que invadem a alma, a personalidade, quando se precisa “dar o exemplo”... Tia Neiva nos mostrou isso claramente em várias das suas tentativas de diário e em algumas cartas.

Hoje vou relatar uma passagem de Pai João de Enoque com um destes líderes espirituais encarnados. Um homem justo, que conduz um povo ao Amor de Deus e a Deus, porém, que como todo ser encarnado, tem seus momentos de fraqueza, de questionamento, de profunda dor!

Vamos chamá-lo de Teófilo. Teófilo tinha um filho a quem acreditava ser um grande missionário, seu substituto a conduzir seu povo. Seu amor de pai o levava a uma ligação de interdependência, como se sua vida também dependesse da vida do filho.

Mas nos enredos kármicos, que não temos acesso pela bênção do esquecimento, o destino dos dois deveria ser separado.
Seu filho veio a desencarnar em dolorosas condições, as quais não me atrevo a relatar, pois a penosa situação traria vibrações distantes de nosso objetivo.

Ao receber a notícia, Teófilo entrou em desespero! Sua dor era a maior do mundo e deve ser respeitada como tal. Não lembrava mais de sua própria missão, estava à beira da blasfêmia e da negação do Amor de Deus, que com tanto fervor sempre pregara.

Afastado da missão, em total depressão, com tristes idéias sugestionadas pelos que se aproveitam nesta hora para manifestarem as mais nefastas formas de cobrança, teve uma proteção especial, de seus bônus acumulados ao longo da jornada.

Lembrou de um humilde Templo do Amanhecer, em que certa vez visitara por questões de esclarecimento de ação.
Lembrou de Pai João de Enoque! O nome vinha claro em sua mente. Lembrava que sentado naquele humilde banquinho recebera uma prova incontestável da presença
de uma Entidade de Luz.
Decidiu dar a si mesmo uma última chance de recuperar a fé. Se ali estava um emissário de Deus, que Ele o salvasse!
Acompanhado de um grupo de preocupados seguidores, procurou como realizar este contato. De joelhos, literalmente, pedia a oportunidade deste resgate.
Não cabe relatar o quanto foi difícil acomodar a situação desta realização excepcional.

O Templo, mergulhado em profundo silêncio, trazia a recordação do Trino Araken, o executivo encarnado de nossa Doutrina e que detinha o “Dom do Silêncio”, ao iniciar suas palestras.
O Hino de Pai João rompeu o silêncio trazendo a harmonia necessária.

Teófilo visivelmente abatido desabou ao lado de Pai João, chorou alguns instantes e perguntou:
O senhor lembra-se de mim? Sabe quem eu sou? Salve Deus! Meu filho, eu sei de sua dor, e te esperava aqui. Nosso primeiro encontro foi para que tivesse aonde voltar na hora precisa. Escute-me primeiro filho, pois tenho algo para lhe dizer, antes de qualquer coisa: Jesus um dia caminhou entre nós e sentiu nossas dores físicas e emocionais. Conheceu profundamente o que vivemos
encarnados, nossas dores e fraquezas. Seu olhar transmitia a beleza, sua voz era sempre ouvida em oração, e sua oração soava como a mais doce melodia. Só falava de amor, e cada gesto transmitia a paz que emanava de seu coração e inundava seus ouvintes. Jesus trouxe de volta a Luz que nos direciona ao nosso Verdadeiro Lar! E esta Luz resplandeceu no coração de quem o compreendeu
ou venha a compreender.

Para voltar para casa temos que estar com o coração iluminado e somente uma oportunidade não nos basta. O perdão de Deus é infinito e para muitas vidas. Ao terminar de cumprir nossa jornada, partimos para uma das muitas moradas, que o céu abriga.

Existe uma vida além da vida. E morrer, não é jamais o fim, é renascer na verdadeira vida, para os que cumpriram sua missão.

Os atentos ouvintes daquelas palavras somente podiam emanar o amor! E Pai João, após uma pausa, esperando Teófilo recuperar-se do pranto, continuou:
- Meu filho, meu irmão! Você ainda tem uma grande missão a cumprir! Seu filho terminou a dele, mas a você cabe conduzir a todos estes que lhe foram confiados. Volte ao seu Templo! Seu filho já esteve lá e foi onde mais chorou por não lhe encontrar. Por não ouvir suas palavras de fé e esperança que aprendeu a admirar desde pequeno.
Haverá um dia em que irão se reencontrar, e se abraçar com certeza da missão cumprida.
Nada mais lhe posso dizer, além de pedir que fique em Paz! Vá em Paz, pois sua fraqueza lhe é perdoada! Levante-se, não olhe para traz, encaminha teu povo e cumpre tua jornada.

Teófilo tentava traduzir seu agradecimento, mas neste mesmo momento Pai João ergueu a mão e disse: Não! Não agradeça, pois foram seus bônus, seus anos de trabalho que permitiram este reencontro.
Vá em paz!

Que cada um receba o esclarecimento desta mensagem de acordo com sua sintonia e merecimento.
Kazagrande
(Baseado em fatos reais)
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